24 de dezembro de 2015

suponha

Suponha...
Suponha por um instante apenas, que não estávamos autorizados a imbecilizar as crianças com o esterco da sabedoria civilizada acerca de tudo.

Suponha que não estaríamos autorizados a ensebá-las até à medula dos ossos com o sarro envernizado das crenças adultas acerca do sexo, da moral, do Estado e do amor. Acerca da morte, da religião e da Pátria. Acerca da dignidade, da honra, da virtude.

Suponha que não nos seria possível comprar-lhes a imaginação e a capacidade crítica, que não nos seria possível suborná-las tão completamente como o fazemos, com essa preciosa moeda de troca que é a chantagem afectiva.

Suponha que não nos empenhávamos tanto em educá-los exclusivamente de acordo com as nossas próprias convicções pessoais, acerca de tudo. Que não nos esforçávamos com tanta diligência como normalmente o fazemos, para transformá-los nos porcos úteis, e aparentemente disciplinados,que em geral acabam por ser os bovinos estáveis, aplicados e submissos a que a nossa condição de adultos integrados, em geral nos levou.

Suponha...
Suponha que moderávamos seriamente a quantidade inumerável de expedientes, sinuosamente concebidos, que usamos a cada passo para conseguir a sua docilidade, a sua obediência às normas de comportamento e de juízo, para conseguir a sua activa cooperação em todos os rituais mágicos a que continuamente nos entregamos, sob a engomada aparência de princípios civilizados.

Suponha ainda que não estávamos autorizados a suprimir a inquietante capacidade que as crianças têm para duvidar das nossas convicções, dessas tais convicções que constituem a argamassa de mentiras, de obscenidades civilizadas  sobre que construimos os modelos ideais de Sociedade sobre que construimos, de igual modo, os nossos mundos privados e tortuosos.

Suponha ainda que as crianças estariam autorizadas a apreciar por si próprias a espessa carapaça de mitos que civilizadamente construimos acerca de tudo e a exprimirem-se livremente a esse respeito.

A supor tudo isto, o que não parece excessivo, de tão natural que seria, de tão desejado que aparentemente é, a supor tudo isto, é razoável admitir que teríamos finalmente conseguido abandonar a nossa actual situação de orangotangos a tropeçar em esboços hesitantes, rudimentares, de organização social, engasgados, continuamente engasgados com a precária consciência que temos de nós mesmos e com o desconhecimento que temos dos outros, que daí inevitavelmente resulta.

Suponha.
Suponha por outro lado que não teriam conseguido imbecilizá-lo a si da forma tão completa como provavelmente o fizeram.

Suponha que guardava ainda uma réstia de luz suficiente para se aperceber do estado de couve perfumada, do estado de rábano activo, normalizado, paralisado mas activo, a que provavelmente chegou. Suponha que conseguiria avaliar, mesmo vagamente mesmo longinquamente, a quantidade maciça de sentimentos que teve de iludir desde a infância, sob pena de ser esmagado pela imbecilidade amorosa dos adultos que o rodeavam, que nunca perceberam nada do que se passava consigo, porque nunca perceberam o que se passava com eles próprios.

Suponha que conseguia avaliar a quantidade de sentimentos, de emoções, de suspeitas intimas que teve de disfarçar, que teve obrigatoriamente de silenciar sob pena de perder o resto de afecto, possivelmente já tão magro, que os seus zelosos instrutores, amorosamente lhe dispensavam, em troca da sua submissão, da sua obediência, da sua aplicada e progressiva idiotia.
Suponha ainda que conseguiria aperceber-se, hoje, da animosidade que teve provavelmente de engolir em seco, que teve de deixar sepultada sob a idiotice das respostas que lhe davam mas sobretudo da idiotia das respostas que lhe não deram.

Suponha finalmente que cada um de nós conseguia desenterrar tudo quanto de importante se passou, durante a sua infância. Que conseguia examinar à luz do dia cada um dos episódios do seu passado.
Suponha que cada um de nós conseguia trazer à superfície e examinar claramente cada um desses episódios, em vez de tropeçar indefinidamente em pedras que não vê, em vez de se atirar com violência de encontro a muros que não pressente, em vez de apodrecer pouco a pouco pelas esquinas aparentemente invisíveis, de uma existência falhada.

Admitindo que tudo isto era possível e corrente, admitindo que tudo isso era normal e plausível, tão normal e plausível como é na ordem prática dos factos o contrário disso, seria então razoável supor que o nosso comportamento fosse hoje essencialmente distinto do que é e que e que a nossa civilização pertenceria de facto a um passado que consideramos remoto, mas que ainda hoje faz parte de um modo tão visível, do nosso presente.

"Suponha...
Suponha por um instante apenas que não estaríamos autorizados a imbecilizar as crianças com o esterco da  sabedoria civilizada acerca de tudo. Suponha que não estaríamos autorizados a ensebá-las até à medula dos ossos com o sarro envernizado das crenças adultas acerca do sexo, da religião e da Pátria..."

in "O homem no tempo" 1983

26 de fevereiro de 2010

Sinalética - O ADN dos pobres


De há uns tempos a esta parte, temos ouvido repetidamente uma palavra que não soa nada bem. E como gostamos de saber o que dizemos, ou poderemos vir a dizer, fomos investigar :
     SINALÉTICA
E descobrimos :

sinalética 
s. f.
Processo de observar e registar sinais, marcas ou quaisquer outros caracteres exteriores, para identificação de criminosos.

Achei tão estranho que fui procurar noutro dicionário :
sinalética (si-na-lé-ti-ca)
s. f.
Processo de registrar sinais particulares dos criminosos para sua identificação.

Além das repetidas vezes que tenho ouvido a palavra nos canais de TV, ainda encontrei mais estes exemplos, da Imprensa nacional : http://www.google.pt/search?q=sinaletica&num=50&hl=pt-PT&newwindow=1&safe=off&rlz=1C1GGLS_pt-PTPT354PT354&tbs=nws:1&ei=RTeHS_voIMj34AaY8K3DDw&sa=X&oi=tool&resnum=3&ct=tlink&ved=0CA0QpwU&tbo=1

Nesta busca verifica-se que em linguagem 'futeboleira' até os árbitros fazem 'sinaléticas' com as mãos !!!
Cá para mim a crise actual, ultrapassou os valores materiais e anda também a atacar a Língua Portuguesa...

Achei estranho não se tratar de mais uma palavra brasileira, disparatadamente importada, sem que seja tomado em consideração o significado original, o que muitas vezes vai colidir com o significado em Português (de Portugal, o original). Mas este ultimo dicionário, é de facto brasileiro e o significado, é semelhante.

Nesse mesmo dicionário podemos encontrar :
sinalização
s.f. Ato ou efeito de sinalizar.
Instalação, disposição, conjunto de sinais numa ferrovia, na entrada de um porto, no trânsito urbano, nas rodovias.

Seria isto que queriam dizer ? Ou será que sinalização é uma palavra 'barata' demais para tão omniscientes jornalistas ?

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Estava hoje a ler um jornal e deparou-se-me esta 'pérola' do disparate, dentro da mesma linha aberrante :

PERFIL
Luciano D’onofrio nasceu em 1955, em Itália, mas três anos depois mudou-se para Liége, na Bélgica. Torna-se jogador de futebol, mas termina a carreira aos 28 anos, já em Portugal, no Portimonense. Envereda pelo dirigismo, sendo director do FC Porto. Passa depois a ser um dos maiores empresários do mundo do futebol. Actualmente, está na direcção do Standard de Liége.

Encontrei :

dirigismo
Significado de Dirigismo
s.m. Teoria econômica e financeira que preconiza a direção do Estado em tudo.
1.   dirigismo
Substantivo masculino.
1. Doutrina e prática da economia dirigida (pelo Estado).
 "Polêmica com direito a acusação de dirigismo cultural, as possíveis mudanças na Lei Rouanet estão dividindo a classe artística."
Fonte: O Globo, 09/01/2008

Os exemplos acima, são de origem brasileira e portanto como 'eles' têm o 'dom' de avacalhar as nossas preciosas palavras, não dá para tirar alguma conclusão.
Mas, num dicionário de português de Portugal, encontramos :  

dirigismo
nome masculino
POLÍTICA - doutrina e política em que o Estado gere e controla a economia do país
http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/dirigismo

Mas, quando deparamos com mais este exemplo num jornal português, chegamos à conclusão irrefutável de que é mesmo desconhecimento total do significado da palavra :

Luís Figo: do relvado para o dirigismo
Com a carreira de treinador também em perspectiva, é o dirigismo que melhor se molda ao mais internacional de todos os futebolistas portugueses - 127 representações na selecção principal.

Cuidado, pois, com estes 'jornalistas' que conseguiram tirar um curso, sem saber falar razoavelmente, (pelo menos), a nossa lingua. Ou será que um certo pretensiosismo os fará usar palavras diferentes das que nós, (os      pobres auditores ou leitores) usamos, afim de demonstrar uma superioridade ... que realmente não sentem ?
P:S: Acho que o Dr. Freud trata este assunto de maneira magistral !

9 de fevereiro de 2010

A banha da cobra

Há muitos anos, andava eu no Liceu de Gil Vicente, na Graça, todas as Terças feiras e Sábados, como morava na Sé, ao voltar para casa, desviava o meu percurso de modo a passar pela Feira da Ladra. E ficava muito tempo a ver os vendedores daquilo a que se dava o nome genérico de 'banha da cobra', a apregoar os seus produtos.
Ainda hoje, quando se fala de  de produtos duvidosos, anunciados de uma certa maneira, se diz que se trata da 'banha da cobra'.
O que deu origem a tal expressão era precisamente um (ou mais) feirantes que vendiam um produto miraculoso, supostamente um paliativo para todos os males e dores físicas. Formavam uma roda de curiosos à sua volta e, de facto, graças ao fluente e convincente discurso que usavam, muita gente adquiria o produto que anunciavam. Diziam eles que o produto era confeccionado exactamente com... banha de cobra.
Também havia os que vendiam um maravilhoso produto, que supostamente fortalecia o cabelo, e a que davam o nome de 'Juba de leão', os que vendiam líquidos que transformavam simples moedas de cobre em reluzentes moedas de prata, os que vendiam jogos de facas e tesouras que cortavam como estiletes e os que vendiam jogos de lençóis, isto tudo a preços sem concorrência no mercado tradicional. Tinham um estilo muito próprio e tenho de concordar que eram convincentes. E eu, uma simples criança, passava horas fascinado pelo discurso fluente desses vendedores de sonhos e pensava : 'quando for grande e tiver dinheiro, compro isto tudo !'.

Assisti hoje a uma declaração em directo, feita  ao 'povo', pelo nosso primeiro ministro. E, algumas horas decorridas, reparei que, nessa altura, do que me lembrei imediatamente, foi desses vendedores da banha da cobra, ídolos da minha juventude que conseguiam vender a sua mercadoria e viver à custa dos sonhadores, engajando os nossos sonhos com um discurso fluente e convincente. E perguntei a mim próprio até que ponto é que o 'povo' ainda acredita em charlatães, de discurso fluente, já desacreditados pela voz corrente e apodados com o título de 'vendedores de banha da cobra'.

-Depois de escrever estas linhas, fiz uma pesquisa no Google com 'banha da cobra'. E vejam o que descobri !
http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=3404

Saliento uma das frases : 'Estou convencido que a grande maioria das pessoas não acreditava minimamente naquilo, mas inexplicavelmente compravam, compravam!!'

14 de fevereiro de 2009

I've told you so...

Estes "jornalistas" não param de me surpreender !
Ainda há poucos dias estava eu aqui a protestar e já me apareceu esta, digna de referência:

                                   in : Correio da Manhã, 14 de Fevereiro de 2009

Eu até nem ando à procura mas aparece-me cada uma !

7 de fevereiro de 2009

Francamente !!!

Que a língua Portuguesa anda maltratada, direi mesmo de rastos, a nível da sua utilização quotidiana e popular, que os "jornalistas" fazem figura de analfabetos, para quem fala 'normalmente' o Português, que o pretensiosismo desses "jornalistas" os faz utilizar palavras estranhas, esquisitas, estrangeirismos de que muitas vezes nem sabem o verdadeiro significado e ainda brasileirismos despropositados, isto é coisa que muitos de nós, defensores e apreciadores da nossa língua, (que é das poucas coisas dignas que nos resta, neste período de crise) já demos por isso.
Sabemos que  a TV tem sido o principal veículo propulsor dos ultrajes a que a língua tem sido sujeita.
E senão reparem nestes estrangeirismos que roçam a fronteira da debilidade mental e a que toda a gente já parece habituada :
'O João está morto' - Em português diz-se : 'O João morreu'. Mas, porque é que tem sido adoptada esta forma desastrada, de algum tempo a esta parte ? Ora pensem lá...
Pois é !!! 'John is dead' é a forma inglesa correcta... Mas em português, correctamente, diz-se 'O João morreu'. Salvo algumas excepções
Outra expressão, digna de atrasados mentais, também muito usada :
'Saia daqui, agora !
'Get out of here now !'
Now, em inglês poderá significar agora, mas também significa ou imediatamente.  E numa tradução, acho eu que se tem de contextualizar as palavras, e não, traduzir livremente. Mas a expressão já está implantada e vamos continuar a levar com ela, não só nas legendas de filmes traduzidos, como também em falas directas. 
Também deixou de haver acontecimentos notáveis, passaram a ser notórios o que não é nada parecido.
Impressiona-me que tenham deixado de haver coisas ou acontecimentos graves, é tudo 'gravoso' !!!

Comentários para quê ?

Deixou de se contratar e agora contratualiza-se !!!
E agora toda a gente coloca tudo !!!
Alguma das pessoas que ainda usa correctamente a língua portuguesa, já se apercebeu do ridículo de dizer, 'colocar gasolina no depósito', 'colocou-se em fuga',  e outras... É um brasileirismo, que foi adoptado sem hesitação pelos tais "jornalistas".
Porque é que já não se fazem perguntas ? Será errado ? Agora sempre se 'colocam questões' ! Acho grotesco, mas o mesmo não acham os "jornalistas" da nossa TV. Os nossos ministros, os nossos deputados !!!
Alguém me informe por favor o que está errado na expressão 'fazer uma pergunta'... 
Por outro lado, a ignorância destes tais "jornalistas" é tanta que chega a levar o texto para a forma que se pode considerar roçando os limites da... ordinarice.
E senão vejamos :
Já por diversas vezes tenho ouvido "jornalistas" utilizar a palavra chato e seus derivados.
'A população de ... anda chateada porque... (EU OUVI !!!)
Também já ouvi diversas vezes a palavra 'chato' no sentido de maçador, inconveniente, etc...
Ora chato é uma palavra que se refere ao piolho pubiano, coisa que de facto incomoda muito. Essa palavra ainda há uns anos era absolutamente imprópria de ser usada em público, considerada palavra grosseira. Completamente vedada a sua utilização diante de uma senhora. 
Pois estes "jornalistas" andam a usá-la livremente perante milhões de espectadores. No mínimo é deselegante. 

Comecei a escrever este texto porque se me deparou uma frase publicitária, destinada à camada jovem, e que reproduzo :

Obrigado por preencheres o nosso questionário. Preenche agora os teus dados
Por favor introduz o teu número de telemóvel. Enviaremos-te um código pessoal para confirmares a tua participação no questionário.

É assim que a asneira é propagada logo no momento em que o cidadão está em formação, num site apelativo aos mais jovens, em letra de forma, informação que é absorvida incondicional e inconscientemente, portanto pronta a ser repetida e divulgada. De notar que o site pertence à PT, grande empresa que bem poderia ter algum controlo sobre o que se publica sob o seu nome.
Entretanto deixei-me levar por toda a indignação que sinto pela degradação da nossa língua, que nos está a ser imposta pela comunicação social.  

Mas já o outro dizia que nada o admirava, desde que tinha visto um porco a andar de bicicleta e eu digo que já nada me admira depois de ter 'visto' a Senhora Doutora Manuela Moura Guedes, afirmar com a maior naturalidade que, à paciente, tinha sido colocada uma banda 'gástrica no estômago' !!!

16 de janeiro de 2009

ecologia ou oportunismo ?

Costumo ver o programa da Conceição Lino, na SIC, 'Nós por cá'
Tem um site, onde se podem rever os casos apresentados.

E encontrei este :



---> Localização de um vídeo do programa da Conceição Lino, ´Nós por cá' que foi retirado, em que uma pessoa pergunta o que havia de fazer a UM LITRO de diluente, que serviu para limpar uns pincéis, e que desejava deitar fora. Falou com diversos organismos, mas ninguém o conseguiu informar acerca da sua questão.<--- p="">
Aqui reproduzo o comentário que deixei no respectivo site :
(Apenas lá deixei o início pois os comentários têm um numero restrito de caracteres)

É muito simples de entender :
O óleo usado, provindo do parque automóvel, que tão pressurosamente recolhem, sem qualquer retribuição, rende muito dinheiro depois de transformado em bio-diesel, ou outros produtos. Não estão a fazer um favor em recolhê-lo mas sim a desenvolver um negócio de (muitos) milhões.
O cartão que as pessoas cuidadosamente separam e metem nos respectivos contentores, ATÉ TEM COTAÇÃO INTERNACIONAL e muita gente ainda vive da respectiva recolha. O cidadão 'separador' apenas ajuda mais um lobby que não devolve nada do que se lhe oferece, já separadinho e pronto a enfardar e exportar.
Do vidro, nem se fala. Antigamente as garrafas eram reutilizadas. Hoje em dia, em vez de se proceder à respectiva lavagem (o que, com a tecnologia moderna não constituiria qualquer risco), são descartadas. Depois, à custa da toda a poluição ambiental, fácil de imaginar, são derretidas, purificado o produto restante, descolorido e, a partir daí, fabricadas novas garrafas. Que alguém me prove que isto é mais ecológico do que a simples acção mecânica de lavar as garrafas vazias e reutilizá-las.
Muito mais se poderia dizer acerca desta 'hipocrisia ambiental' a que estamos a habituar a geração actual. Muitas sugestões poderia dar acerca do destino dos resíduos que diáriamente produzimos, mas não é aqui o local adequado.
Quanto ao nosso pintor, ele tem mesmo um problema pois o diluente e, sobretudo em tão pequena quantidade, não rende nada a ninguém e por isso mesmo, ninguém se preocupa em recolhê-lo.
Porque a ecologia, tal como nos está a ser apresentada, tem um lado obscuro. Muito obscuro mesmo...

6 de novembro de 2008

Passeio a Espanha e outras considerações

Fiz um passeio a Espanha...
Passeio que se tornou numa autêntica desintoxicação.

De facto, a primeira coisa que me chamou a atenção foi a maneira disciplinada como se circula nas estradas. Em 800 Km. de auto estrada (em que não fui assaltado por qualquer portagem), não vimos um único carro circulando a velocidade exagerada, mantendo-se sistemáticamente na faixa da direita. A seguir a uma ultrapassagem, todos os condutores que se tinham servido, licitamente, dessa parte da via, retomavam imediatamente a faixa onde de facto se deve circular. Para quem circula muito no IC 19, este facto por vezes produz uma sensação de 'falta aqui qualquer coisa'

Tive oportunidade de verificar que o combustível, de facto já se vende a um preço abaixo de um euro.
E até fotografei uma bomba espanhola e outra portuguesa, afim de registar os respectivos preços, na mesma data.



Quando estava a fotografar a bomba portuguesa, fui interpelado por um funcionário e pouco depois pelo gerente, acerca da razão do meu acto ! Respondi que a bomba era muito bonita...

Entrei em algumas 'bodegas', onde tive o prazer de me sentir no meio de seres humanos...
Nada de balcões despersonalizados pelo aço inox, havia baterias de presuntos e enchidos pendurados exalando aromas que se adicionavam aos aromas das madeiras criando uma intimidade que afinal é o que se deseja quando se confraterniza com as outras pessoas. E segundo me parece, não tem morrido muita gente por causa de tais 'libertinagens'. Sim... porque para a mentalidade que se tem infiltrado na sociedade portuguesa, são autênticos casos de libertinagem, por exemplo, ter um presunto pendurado, em saborosa exibição. Estou a exagerar ? Talvez não pois a geração que se encontra neste momento em evolução, que já nasceu sob o império desta legislação higienista, quando chegar ao estado adulto, não pode conceber que um chouriço 'nu' esteja pendurado, em gostosa exibição. Chegará o dia em que as pessoas se sentirão na obrigação de denunciar à ASAE, que nessa altura certamente já terá mudado de nome, (acarretando todas as despesas que isso implica), o insólito facto de num bar se cortar uma fatia de carne com determinada faca e usar a mesma faca para, depois de limpa, cortar uma porção de queijo. Ou de uma falta de higiene assombrosa, encostar os braços a um balcão em madeira (geralmente envernizada e escrupulosamente limpo).


Para quem não sabe, na nossa terra, tem de haver diversas facas, com cabos de cores diferenciadas, para com cada uma se cortar um tipo de alimentos ! Multas, é claro, para o não cumprimento.
Deixa-nos ficar a pensar que em Portugal, o uso da mesma faca nessas circunstâncias já teve em tempos resultados desastrosos. Os legisladores 'nuestros hermanos' parece que não estão de acordo. Claro que isso vai redundar num deficit na cobrança de multas e do IVA referente à venda de tais facas especiais, mas trata-se de um país rico (!), em que a economia não sente necessidade desse imposto extra que por cá actualmente, constitui uma fonte de recitas muito apreciada (pelos governantes, claro): as multas e as receitas do IVA sobre artigos obsoletos.
Também se privaram da receita referente às multas por causo dos fumadores e respectivas instalações.
A solução, claro, não passa por fazer disso uma fonte de receita :
Cada estabelecimento, decide se é de fumadores ou não fumadores. E afixa um letreiro a informar... Cada pessoa entra no estabelecimento que mais lhe agradar, se não que sentir-se intoxicada, à beira da morte, sujeita a doenças inimagináveis por causa do fumo dos cigarros então entra num estabelecimento para não fumadores... Fácil, não é ?

Outra coisa que se verificou é que apesar da densidade do parque automóvel da localidade em que circulei, a poucos Km. de Madrid, (até lhe chamei o Cacem de Madrid, APENAS pela proximidade da capital), o trânsito flue de maneira aceitável, mesmo nas horas de ponta.
E porquê ?
Neste Cacém de Portugal, as linhas de trânsito principais que atravessa a cidade, definidas nos gabinetes por técnicos credenciados, afluem todas, obrigatóriamente, ao mesmo sítio, sítio esse que não está preparado para esse fluxo excessivo de trânsito. A certas horas críticas, o trânsito fica completamente imóvel por períodos que chegam a durar mais de 10 minutos. Os semáforos, mudam de vermelho para verde mas não se pode avançar, porque à nossa frente está uma fila de carros à espera que o semáforo seguinte dê passagem. Quando esse semáforo passa a verde, esses carros não podem avançar porque à frente estão os que não podem entrar na principal avenida da terra, pois essa avenida não tem as mínimas condições de escoamento de trânsito e as posições que vão ficando livres, são ocupadas pelos carros que tentam entrar pela primeira entrada para a cidade que se encontra no IC 19. Porque entretanto o sinal verde, acende para essa fila de transito.
Quem conhece bem a terra, procura as ruas secundárias para chegar ao seu destino mas... em TODAS essas ruas secundárias que podiam resolver grande parte dessa confusão, foram colocados, a partir de certa altura, sinais de sentido proibido, ficando a servir apenas para mais alguns carros, que vão acabar por ser encaminhados para a dita confusão.
Também tenho de mencionar o facto de que o acesso ao novo tunel sob a ferrovia que atravessa o Cacém, ser feito obrigatóriamente atravez de 4 bairros residenciais, uma escola 14 curvas e ainda uma desnecessária e incrível rotunda de que nem vou falar por enquanto.
Este quadro de estupidez incompetente verifica-se de facto nesta terra. Chama-se POLIS...

Mas... eu estava a falar de Espanha !
Na cidade em que estive, as principais vias são largas avenidas, os sentidos proibidos são os indispensáveis e não vi um único condutor a circular indefinidamente pela faixa exterior das rotundas. O trânsito flui com normalidade e os peões não se atiram para baixo dos carros nas passadeiras.

Foi de facto uma lufada de ar fresco esta viagem a Espanha, onde ainda se verifica uma solução prática e inteligente dos problemas que afligem os habitantes, sem passar pela extorsão de fundos sob diversos pretextos.
Uma excelente viagem, sem nenhum problema, com gostosas refeições (por cá também as servem, mas a comida é diferente do nosso habitual) e um prazer renovado na condução.

24 de setembro de 2008

Onde anda a Justiça ?

Por falar em Justiça :

- Processo Casa Pia: nada
- Processo Apito Dourado: nada
- Assassinatos de seguranças na noite: nada
- Caso Maddie: nada (com direito a humilhaçãozinha no estrangeiro...)
- Caso Freeport: nada
- Caso dos sobreiros PP: nada
- Caso BCP: nada
- Caso Vale e Azevedo: nada
- Operação Furacão: nada

Mas conseguiram prender um jovem que fez um download de música ...
YEAAAAAAAAH!...

O primeiro português condenado à prisão por pirataria musical na internet!...

O indivíduo poderá passar entre 60 a 90 dias atrás das grades por ter
feito o download e partilhado música ilegalmente!...
Estamos muito à frente...

14 de agosto de 2008

A justiça no banco dos reus ?

Gosto de ler livros policiais. Leio muitos livros policiais. Tenho um rol de autores preferidos.

Como todos os dias, passo pelo café e, depois de 'o' pedir, pego no jornal e leio acerca dos assuntos que me interessam, comecei em Maio do ano passado a seguir o caso Maddie. Como o caso se manteve alguns meses em grande plano, conforme sabemos, encarei-o como 'o meu romance policial da vida real'. Como o comum dos mortais, apenas tive acesso aquilo que nos quiseram informar. E o segredo de justiça, impedia a divulgação de dados importantes.

Como a maioria senão mesmo a totalidade das pessoas que se interessaram pelo assunto (e estamos a falar dum 'best-seller' !) a partir de determinada altura, não me restava a minima dúvida de que :

1 - a menina tinha morrido

2 - os pais tinham feito desaparecer o corpo.

(ainda sou processado por isto, afim de ganharem mais uns tostões, a acrescentar à já choruda quantia que amealharam à custa do assunto)

A partir dos dados que a Comunicação Social nos forneceu, sabemos que :

1 - Foram encontrados vestigios de sangue que os ingleses fizeram o favor de concordar que seria da menina. Para não referir que, na maior campanha mediática de sempre sobre um assunto desta natureza e mesmo da maioria de outros assuntos e que atingiu nivel mundial, a menina não foi encontrada.

2 - Tambem se sabe que os pais são pessoas de nivel sociado elevado, médicos e até que o pai estava em vias de se candidatar a um alto lugar no Governo. A morte acidental da menina seria um desastre para os seus intentos e para a sua aceitaçao no meio social onde estão inseridos.

Após uns tempos de acalmia mediática, o assunto voltou em força para alguns, como eu, aquando da publicação do livro 'Maddie A verdade da mentira', escrito pelo coordenador da investigação, Gonçalo Amaral.

Um livro muito bem escrito, que não se limita a uma descrição de factos mas insere aqui e ali alguns apontamentos e até por vezes com sentido de humor. Bem estruturado, facil de ler, preciso nos detalhes e não quero deixar de mencionar, escrito em bom português.

Com a devida vénia, transcrevo a primeira frase do livro que, enfim... leiam :

"O Domingo de Carnaval tinha começado ao som de tiros dos caçadores, os quais, por entre o mato rasteiro do barrocal algarvio, perseguiam, deslealmente, indefesos coelhos."

Depois vem o relato das diligências feitas, a 'sala de crise' e alguns diálogos do autor com colegas.

Como ele sabe o terreno que pisa, nunca põe o pé em ramo verde pois não se quer sujeitar a um procedimento visando o aumento do património da familia Mccan.

Cheguei ao fim, talvez um pouco decepcionado duma certa maneira pois pensava que ia encontrar provas mais evidentes da culpabilidade dos pais.

Mas...

Mais vale salientar um facto que se passou, em que um pormenor não foi suficiente e completamente esclarecido, pela Comunicação, já que alguns elementos não foram tornados públicos.

Segundo uma das amigas do casal, a Tanner, conta que nessa noite viu um homem com uma menina ao colo, dirigindo-se digamos que para baixo, para uma zona iluminada e com possibilidades de estar gente.

Por outro lado, a famila Smith, afirma que viu um homem com uma criança ao colo, dirigindo-se em sentido contrário, digamos para cima, em direcção a um local mais deserto e bastante escuro, mas não conseguiu descrever a pessoa nem a criança.

Até aqui... duas pistas, dois avistamentos... as pontas ficaram soltas.

Mas...

A Mrs. Tanner, acaba por descrever o indivíduo, de tal maneira que, acaba por identificá-lo como o tal de Murat, que por essa ocasião é constituido arguido

A familia Smith é ouvida mas não consegue pormenorizar e então a versão Tanner, muito concisa e peremptória, é considerada válida.

No dia em que os Mccan regressaram a Inglaterra, estava a familia Smith a ver na televisão o directo da chegada, em que o pai desembarca do avião com um dos gémeos ao colo e diz a Sra. Smith para o Sr. Smith :
-Olha ! Este é o homem por quem passámos quando desapareceu aquela menina em Portugal !!!
E diz o Sr. Smith :
-Pois é !!! Vê-se pela maneira de andar e pela maneira de pegar na criança, com o braço pendurado ao longo do corpo do homem!!! É ele mesmo !!!
(não foi copiado, foi descrito :))

O que é verdade é que o Sr. Smith, ficou muito perturbado e inquieto e só descansou quando participou aquilo que tinha descoberto.
A PJ teve conhecimento deste pormenor do avistamento e imediatamente pediu que o casal Smith se deslocasse a Portugal, com todas as despesas pagas, afim de ser novamente ouvido afim de esclarecer o assunto.
No entanto isso não foi conseguido e apenas concedida uma audição em Inglaterra que de nada serviu, até porque chegou apenas após alguns meses.
Tambem é mencionado que o casal Smith foi abordado por alguém que lhes aconselhou a não falar sobre o assunto.
Alguns destes factos, diz o autor, não tinham sido dados a conhecer ao público.

Comentários para quê ?
Graças a todo o trabalho da PJ, os factos tornaram-se evidentes.

Resta acrescentar que o Sr. Gonçalo Amaral, desenvolveu uma pesquisa com grande profissionalismo e descobriu de facto os culpados, tendo conseguido desmontar a falsa pista lançada desde o princípio.

Só é lamentável que o seu nome esteja associado ao caso da pequena Joana, em que a mãe, Leonor Cipriano, terá alegadamente sido espancada e torturada afim de confessar.

http://dn.sapo.pt/2008/04/14/sociedade/duas_versoes_sobre_atitude_goncalo_a.html

http://www.barlavento.online.pt/index.php/noticia?id=19043

http://www.dailymail.co.uk/news/article-461111/Chief-Madeleine-detective-charged-beating-suspect-missing-girl-case.html (foto de como ficou a Leonor depois de 'se ter atirado pela escada abaixo afim de se suicidar')

G.A. e a sua equipa, são arguidos respectivamente de omissão de provas, falsificação de documentos e tortura.

Mas que contraste...

13 de agosto de 2008

(des)acordo ortográfico ?

Como nuvem densa e escura, perfilando-se ameaçadoramente no horizonte, vemos aproximar-se a passos largos do dia da adopção integral do acordo ortográfico luso-brasileiro. Dentro de seis anos, a nuvem cobrirá totalmente este pequeno país, pátria de Camões e de muitos escritores que, ao longo de alguns séculos, souberam mostrar e preservar toda a beleza, expressividade e riqueza da língua do nosso país.

Embora eu esteja a falar contra, (pelo menos) uns 200 milhões de lusófonos, acho duvidoso, imbecil, ilógico, ofensivo e até obsceno, obrigar um povo, de longa história, de raízes profundas, a alterar a sua maneira de escrever e falar, a tal ponto que muitas vezes suprime a própria indicação da raiz da palavra ! Etimologia ? O que é isso ? Não... Eles (os brasileiros) não sabem.

Mas vejamos o porquê da minha dúvida na assinatura desse acordo : Em 1500, os portugueses descobriram o Brasil. A população usava para comunicar, uma linguagem própria que nada tem a ver com a língua portuguesa. Os colonizadores portugueses, através da necessidade de comunicação com os autóctones, 'doaram' aos naturais da terra uma língua rica, nobre e bem estruturada, que se estava expandindo pelo mundo civilizado e não só, e que passou a ser a língua oficial do país. Até aqui, tudo está dentro dos parâmetros da mais básica lógica e civilidade. O mesmo aconteceu com outros países, na época da colonização. Veja-se o caso da língua inglesa  que, hoje em dia, é considerada e usada como linguagem universal.

Mas... Conhecendo um pouco da mentalidade dos brasileiros, verificamos que são um povo dotado de uma mentalidade eminentemente prática e voltada para a simplicidade na resolução dos problemas (o que considero características muito positivas). A partir daí, surgiu expontâneamente uma simplificação e personalização da linguagem, que incluiu a personalização de todos os vocábulos estrangeiros, que são usados internacionalmente, nomeadamente no domínio da técnica e da informática. Sendo esta acção absolutamente liberalizada, pois ainda hoje não existem, lá, regras próprias que regulamentem o uso da linguagem, acabou por se criar uma linguagem popular, em que uma das característica é a de aglutinar indiscriminadamente palavras estrangeiras, devidamente adaptadas. E por vezes tornadas irreconhecíveis ! Por outro lado surgiu a tendência de escrever 'como se pronuncia'. Claro que não estou a falar da população de alta cultura ou posição social destacada da massa popular como por exemplo alguns grandes escritores, até muito conhecidos e lidos em Portugal e alguns políticos e intelectuais.

Mas... Este acordo até nem seria necessário se fosse criada uma gramática e uma língua brasileiras. Cada qual com as suas regras e 'o povo' na generalidade ficaria satisfeito ou indiferente mas nunca contrariado.Mas tal não aconteceu e pelos vistos não acontecerá. (E estamos a falar de dois países ditos democráticos em que o povo é suposto mandar...)

Porquê ? Será que os brasileiros não querem largar mão do nome de uma linguagem com regras, nobre e muito antiga, portanto um bem ou mais valia cultural ? Ou será que os portugueses não querem perder pontos nos dados estatísticas sobre a expansão da lingua ? Assim são 'só' mais cerca de 200 milhões de 'lusófonos'. Certamente não será por motivos de ordem técnica pois bastaria usar toda a nossa regulamentação linguística e apenas fazer as alterações e adaptações necessárias.

Seja como for, a minha dúvida persiste : Será lícito, razoável, honesto ou lógico que depois de exportarmos a nossa bela e cuidada linguagem, venhamos agora (re)importar uma linguagem sem regras, sujeita a confusões e com expressões idiomáticas estranhas ? Enfim...Uma caricatura da verdadeira língua portuguesa. Sabemos que o acordo ortográfico apenas altera a grafia de certas palavras. Mas o que todos sabemos é que nos dias que correm, muitas expressões (algumas bastante estranhas) e muitos erros de sintaxe, têm sido importados, sucessivamente, muitas vezes a partir de certos 'jornalistas' que se sentem na necessidade de 'falar caro'. Claro que estes nem só se servem de 'brasileirismos' mas também de... burrismos. Achas que não ? Então vê lá esta :

"As acessibilidades ainda não estão prontas"
O que é que esta frase tem de errado ? Perante a maneira actual (e estranha) como os jornalistas, hoje em dia, falam, vais dizer que a frase está correcta. Mas... A terminação '***idade entrou na moda. Os substantivos desapareceram. Tornaram-se todos advérbios. Com efeito, acessibilidade, significa a capacidade de se ter acesso a qualquer coisa ou lugar. Pelos acessos. Caminhamos pelo acesso ao estádio. Se o estádio tem bons acessos, então tem boa acessibilidade. Os ***icismos tambem estão em alta. Alguns ininteligíveis à primeira, mas quase todos absolutamente deslocados no contexto da frase.

E para terminar, deixo um apontamento retirado de um email que recebi, sobre este assunto :

De fato, este meu ato refere-se à não aceitação deste pato com vista a assassinar a Língua Portuguesa. Por isso ... por não aceitar este pato ... também não vou aceitar ir a esse almoço para comer um arroz de pato ... A esta ora está úmido lá fora ... por isso, de fato lá terei hoje de vestir um fato ...

Será este o 'português' que os nossos filhos irão falar ???

E será que os ingleses farão algum dia um acordo ortográfico com os norte americanos ?

6 de agosto de 2008

Animais de cobrição ?

De há uns tempos a esta parte que se generalizou, nos meios mediáticos futebolísticos uma palavra que me intrigou : 'Plantel' !

E usada com tal profusão que, talvez por não fazer parte do meu vocabulário habitual, causava-me sempre uma certa estranheza. Como sou curioso, fui ver ao dicionário o seu significado.
Num dicionário português, de Portugal, claro.
E no primeiro que consultei li :
'Plantel' - manada de bois de cobrição !!!
Consultei mais alguns dicionários e sempre encontrei expressões semelhantes. Sempre referindo 'animais' e qualquer função reprodutiva.
E para que não haja duvidas, aqui fica a foto do meio de transporte acabado de ser adquirido para o 'plantel' benfiquista :


4 de agosto de 2008

A duvida sistemática ?

Não. Embora não me dedicando a nenhum tipo de investigação, não adopto habitualmente a 'duvida sistemática', defendida por Descartes, nas observações que faço no meu dia a dia.
No entanto, há certas coisas que me chocam subitamente pela falta aparente de lógica ou bom senso. E aí sou assaltado pela dúvida.
Foi essa a razão de publicar um blog, afim de as partilhar e talvez encontrar algumas respostas e assim apaziguar as minhas apreensões.
Partilha as tuas opiniões sobre as minhas dúvidas. Ajuda-me a viver mentalmente (mais) saudável.
O autor agradece

Augusto